Por que estamos sempre cansados? 4 causas e o que fazer

Sabe aquele momento em que a gente acorda com a sensação de que um caminhão passou por cima e depois ainda deu ré?

Pois é. Você dorme, acorda e o cansaço continua ali, firme e forte. Afinal, por que estamos sempre cansados?

Antes de tudo: isso é um saco, mas não é fraqueza, muito menos preguiça.

Você pode dormir igual à Bela Adormecida e acordar com a bateria em modo de economia de energia. Hoje vamos entender o que pode estar por trás disso e o que dá para mudar, sem fórmula mágica e sem culpa.

Cansaço do corpo × cansaço da mente

O cansaço do corpo é aquele em que você só quer cama, sofá, rede… O lugar faz pouca diferença. O corpo pede uma pausa física de verdade.

Já o cansaço da mente, também chamado de fadiga mental, pode surgir depois de um esforço mental prolongado¹.

Sabe quando você termina o dia com 427 abas abertas na cabeça e uma música ruim tocando em algum lugar? Você fecha as abas, mas a música continua.

Nessas horas, talvez ajude diminuir os estímulos: olhar pela janela, caminhar tranquilamente ou ficar alguns minutos sem precisar prestar atenção em nada.

Dormir é essencial, mas nem sempre resolve todos os fatores que contribuem para o cansaço. Às vezes, a mente também precisa de um respiro.

Por que estamos sempre cansados? Os suspeitos de sempre

Quatro suspeitos podem estar roubando sua energia — e seus sucos vitais.

1. Tarefas e decisões sem fim.

De “o que vou comer?” a “respondo agora ou depois?”, são pequenas decisões o tempo todo. No fim do dia, a cabeça parece um computador com centenas de abas abertas e um ventilador prestes a decolar.

2. Excesso de estímulos.

Notificações, vídeos, mensagens e notícias disputam nossa atenção. Em um experimento, receber uma notificação no celular, mesmo sem interagir com ela, prejudicou o desempenho em uma tarefa que exigia atenção².

3. Sono curto ou pouco reparador.

Não é só a quantidade de horas, mas também a qualidade do sono. Para adultos saudáveis, o consenso da Academia Americana de Medicina do Sono e da Sociedade de Pesquisa do Sono recomenda pelo menos sete horas por noite³.

4. Estresse prolongado.

Quando a tensão não dá trégua, o corpo pode permanecer em estado de alerta. A exposição prolongada ao estresse pode afetar diferentes sistemas do organismo, algo relacionado ao conceito científico de carga alostática⁴.

Esses não são os únicos suspeitos. Anemia, alterações da tireoide, distúrbios do sono, medicamentos e outras condições de saúde também podem causar cansaço persistente.

Se quiser entender como fatores emocionais e comportamentais podem se relacionar com o peso, leia também: Como a saúde mental afeta o peso.

Pausa que recarrega × pausa que distrai

Sabe aquele domingo no sofá, com a lista de tarefas gritando na cabeça? O corpo está parado, mas a mente continua em reunião.

A culpa transforma o descanso em mais uma obrigação. Você tenta relaxar, mas continua pensando em tudo o que deveria estar fazendo.

A outra armadilha é trocar uma tela por outra: sai do computador, vai para o celular e depois para a televisão, com o celular na mão. A tela mudou, mas a cabeça continua no expediente.

Um estudo investigou os efeitos de pausas convencionais e pausas com smartphone na recuperação da vitalidade no trabalho⁵. Isso não significa que toda tela seja prejudicial, mas vale observar como você se sente depois.

Uma pausa pode ser simples: tomar um café sem fazer outra coisa, caminhar sem fone ou assistir a algo leve que faça você rir.

Uma meta-análise encontrou associação entre microintervalos de até dez minutos, maior vigor e menor fadiga, embora os efeitos tenham sido pequenos⁶.

A tela é inimiga? Não exatamente. Vídeos de bichinhos fofos estão liberados. O importante é perceber se aquilo ajuda você a relaxar ou só mantém sua atenção ocupada.

Sua mente não precisa de desespero e agonia o tempo todo. Às vezes, ela só precisa de sossego.

Quando procurar ajuda

É normal sentir cansaço de vez em quando. Mas, se ele persiste por semanas, piora ou começa a atrapalhar sua rotina, procure um profissional de saúde para investigar a causa.

O mesmo vale se vier acompanhado de tristeza persistente ou perda de interesse em coisas que antes eram prazerosas.

Se surgir de forma súbita e intensa ou vier acompanhado de dor no peito, falta de ar importante ou desmaio, procure atendimento de urgência.

Pedir ajuda não é fraqueza: é cuidar de si. Se não tiver como pagar por uma consulta, uma Unidade Básica de Saúde (UBS) pode orientar e encaminhar você pelo SUS.

Prática-convite: microações

Escolha uma das cinco opções abaixo e experimente durante sete dias. Lembre-se: é um convite, não uma obrigação.

1. Horário de dormir mais regular. Tente dormir e acordar em horários semelhantes na maioria dos dias, respeitando suas necessidades de sono.

2. Cinco minutos sem tela. Deixe o celular em outro cômodo e olhe pela janela, respire com calma ou simplesmente fique em silêncio. Escute os passarinhos, uns grilos talvez, o vento… E, se não tiver nada disso, tudo bem. Só não vale ficar esperando um passarinho aparecer para começar a descansar.

3. Silenciar notificações. Comece pelas que não são urgentes. Se sua rotina permitir, estabeleça horários para não receber mensagens de trabalho fora do expediente.

Acabou o expediente? O celular também pode bater o ponto.

4. Buscar luz natural pela manhã. Abra a janela ou tome o café perto dela por alguns minutos. A luz natural ajuda a regular o relógio biológico e os ritmos de sono e vigília⁷.

Esse aqui pode ser o ouro, né não? Só você e a janela.

5. Tirar uma tarefa da lista. Delegue, adie com data marcada ou aceite que algo não vai acontecer nesta semana.

Às vezes, queremos dar conta de tudo, e isso é deveras cruel conosco.

Se quiser acompanhar sua experiência, anote diariamente sua energia de zero a dez. Ao final dos sete dias, você terá algumas pistas sobre o que parece ajudar.

E se não funcionar de primeira? Tudo bem. A ideia não é acertar de primeira, e sim começar. Se uma mudança não ajudar, experimente outra. E, se o cansaço continuar, não encare isso como fracasso: pode ser necessário investigar outras causas.

Para levar com você

Pessoas com horários, carreiras e histórias diferentes têm necessidades diferentes.

Por isso, fica uma pergunta: qual necessidade sua precisa de cuidado mais imediato?

Às vezes, estamos tão ocupados com tudo que, diante dessa pergunta, a resposta é:

— Tá tudo maravilhoso, eu não tô com necessidade nenhuma.

Mas o “por que estamos sempre cansados?” continua sem resposta.

Talvez seja hora de olhar com um pouco mais de carinho para o que está acontecendo. Sem culpa, sem exigir mudanças gigantescas e sem precisar resolver tudo hoje.

Se quiser continuar nessa jornada de cuidado, conheça também o guia gratuito Tranquilamente, do Alentu: sete passos para lidar melhor com a ânsia, sempre no seu ritmo.

Porque cuidar de si não precisa virar mais uma tarefa impossível na lista.

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  1. Boksem, M. A. S.; Tops, M. (2008). Mental fatigue: Costs and benefits. Brain Research Reviews, 59(1), 125–139. https://doi.org/10.1016/j.brainresrev.2008.07.001
  2. Stothart, C.; Mitchum, A.; Yehnert, C. (2015). The attentional cost of receiving a cell phone notification. Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance, 41(4), 893–897. https://doi.org/10.1037/xhp0000100
  3. Watson, N. F. et al. (2015). Recommended Amount of Sleep for a Healthy Adult: A Joint Consensus Statement of the American Academy of Sleep Medicine and Sleep Research Society. Journal of Clinical Sleep Medicine, 11(6), 591–592. https://doi.org/10.5664/jcsm.4758
  4. McEwen, B. S. (2007). Physiology and neurobiology of stress and adaptation: Central role of the brain. Physiological Reviews, 87(3), 873–904. https://doi.org/10.1152/physrev.00041.2006
  5. Rhee, H.; Kim, S. (2016). Effects of breaks on regaining vitality at work: An empirical comparison of ‘conventional’ and ‘smart phone’ breaks. Computers in Human Behavior, 57, 160–167. https://doi.org/10.1016/j.chb.2015.11.056
  6. Albulescu, P. et al. (2022). “Give me a break!” A systematic review and meta-analysis on the efficacy of micro-breaks for increasing well-being and performance. PLOS ONE, 17(8), e0272460. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0272460
  7. Blume, C.; Garbazza, C.; Spitschan, M. (2019). Effects of light on human circadian rhythms, sleep and mood. Somnologie, 23(3), 147–156. https://doi.org/10.1007/s11818-019-00215-x